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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cabaré dos Quase-Vivos SOBRE o VENTO

Hoje é dia de finados e por acaso vou escrever sobre um surpreendente espetáculo chamado CABARÉ DOS QUASE-VIVOS, do Grupo Sobrevento .


Esse trabalho não integrou o projeto Teatro nos Parques (como já disse anteriormente, prefiro não comentar sobre os trabalhos do projeto, já que poderia não parecer muito educado de minha parte não falar sobre todos – mas, inevitavelmente, alguns deles em breve figurarão por aqui), entretanto lá houve alguns espetáculos de bonecos.


Inusitadamente, num sábado após mais uma sessão do Teatro nos Parques, convido minha mãe para irmos assistir a um espetáculo que utiliza técnicas de clown. Para minha surpresa, os ingressos estavam esgotados. De lá, vamos para o Sesc tentar ver um novo trabalho do Antunes: ingressos também esgotados. Estou muito cansado e minha vontade é de ir embora pra casa. Depois de ler e reler um guia de espetáculos, encontro o nome do grupo Sobrevento, um daqueles que sempre ouvi falar muito bem, mas que eu ainda não conhecia o trabalho. Parecia interessante, contudo naquele dia eu queria ver atores em cena, não bonecos.


Tendo em vista que minha mãe nunca tinha visto esse tipo de teatro, com muita preguiça, fomos à sede do grupo, localizada próximo ao metrô Bresser, local onde quase não há teatro. Primeira surpresa: o espaço é agradabilíssimo, com ares de “feito a mão”. Ainda oferece uma programação gratuita de espetáculos (pelo que entendi, essa é a proposta mesmo para trabalhos que não são do grupo Sobrevento), mantida pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. Na entrada, uma exposição de bonecos que se mistura com a própria história de 20 anos do grupo.


Começa o espetáculo e meu queixo cai: um ambiente de cabaré é criado por atores que, além de assumirem personagens em cena, manipulam uma grande variedade de tipos de bonecos, dando vida aos mesmos de uma forma extremamente delicada, colocando em cheque quem seriam os quase-vivos do título, já que através de uma história aparentemente simples, o público é provocado a todo momento.


Além disso, eu jamais esperava ver uma produção tão bem cuidada: uma luz linda, sonorização, cenário, dramaturgia, direção... Enfim: surpreendente e de graça!


Repito essa coisa do gratuito, pois estou cansado de ouvir pessoas dizerem que não vão ao teatro porque é caro. Além disso, muita gente tem preconceito com o gratuito, pois imagina que espetáculo bom tem que cobrar ingresso. Isso me remete à propaganda daquele biscoito que “vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”.


Minha mãe adorou e, para mim, o melhor termômetro que existe para a avaliação de um bom espetáculo é quando pessoas que não são profissionais de teatro, além de gostar, saem encantadas com o trabalho.


FICHA TÉCNICA

CRIAÇÃO: Grupo Sobrevento. TEXTO: Luiz André Cherubini e Sandra Vargas (história das marionetes livremente inspirada no Conto de Ninar de Molnár Ferenc). DIREÇÃO: Luiz André Cherubini. ATORES-MANIPULADORES: Grupo Sobrevento - Sandra Vargas, Anderson Gangla, Maurício Santana e Luiz André Cherubini. MÚSICOS: Pedro Paulo Bogossian (piano), Rodrigo Gonzales (bateria) e Micaela Marcondes (violino). CONTRA-REGRA: Agnaldo Souza. ILUMINAÇÃO: Renato Machado. COMPOSIÇÃO, ARRANJOS E DIREÇÃO MUSICAL: Pedro Paulo Bogossian. CENÁRIO E FIGURINO: Márcio Medina. CONSTRUÇÃO DO CENÁRIO: Fernando Brettas. COREOGRAFIA: Paulo Branco. PREPARAÇÃO VOCAL: William Guedes. ASSESSORIA DE MÁGICA: Volkcane. CONCEPÇÃO DOS BONECOS: Grupo Sobrevento. CONFECÇÃO DOS BONECOS: Grupo Sobrevento e Agnaldo Souza. CONFECÇÃO DAS ROUPAS DOS BONECOS: José Batista e Neli Kosak. PINTURA DOS BONECOS: Léia Izumi. PROGRAMAÇÃO VISUAL: Marcos Corrêa e Luciano Pessoa. DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Grupo Sobrevento. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Lucia Erceg. ESTAGIÁRIOS: Elis Garcia, Fabiana da Silva, Giuliana Pellegrini, José Elias Gomes de Souza “Tico”, Léia Izumi, Marcelo Lima de Oliveira, Leonardo Vinícius F. Melo, Paulo Franco, Sirley Alves de Lima, Rayanne Cacciollare, Edson dos Santos, Viviane Cavalcanti, Sheila Alencastro e Valmir Ferreira Santos. FOTOS: Lenise Pinheiro.

Infelizmente, a temporada acabou ontem. Mas, vale visitar o site do Grupo Sobrevento para conferir sua programação (nessa semana estreia um novo espetáculo) : www.sobrevento.com.br . ESPAÇO SOBREVENTO: R. Coronel Albino Bairão, 42 – Belenzinho (a duas quadras do Metrô Bresser-Moóca), São Paulo - SP

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A ALMA BOA DE DENISE FRAGA

Foto: João Caldas

Hoje é dia de falar de Brecht. Um Brecht protagonizado por uma estrela global (Denise Fraga). Estranho? Talvez alguns artistas engajados atacassem várias pedras, já que muitos defendem Brecht como anti-burguês. E o que seria uma arte anti-burguesa?

Por tudo isso, considero essa montagem de A ALMA BOA DE SETSUAN um belíssimo trabalho, já que prova que um bom texto, com bons atores, bom diretor, bom iluminador, boa cenografia, bons figurinos só pode resultar em um ótimo espetáculo.

Denise Fraga mostra-se como uma alma boa em cena e fora dela. A segunda (atual) temporada em São Paulo tem preços populares e muito provavelmente ela seja responsável por isso.

A alma má do espetáculo (ironicamente o divino) é Ary França. Ele rouba a cena com piadas extremamente bem colocadas, com um ótimo domínio dos tempos.

Enfim, vale a pena conferir a dialética de Brecht posta em cena por essa ótima equipe artística.

FICHA TÉCNICA:
Autor: Bertold Brecht. Direção: Marco Antônio Braz. Adaptação: Marco Antônio Braz e Marcos Cesana. Elenco: Denise Fraga, Ary França, Cláudia Mello, Joelson Medeiros, Maurício Marques, Fábio Herford, Marcos Cesana, Jacqueline Obrigon, Virgínia Buckowski, Maristela Chelala e João Bresser. Assistente de direção e preparadora corporal: Ana Paula Nero. Cenografia: Márcio Medina. Figurino: Verónica Julian. Visagismo: Emi Sato. Trilha sonora: Théo Werneck. Iluminação:Wagner Freire. Direção de Produção: Roberto Monteiro e Fernando Cardoso.


SERVIÇO:
Onde : Teatro TUCA - Rua Monte Alegre, 1024 – PerdizesTemporada: 14 de Agosto a 04 de Novembro. Horários: Sáb às 21h30 e Dom às 19h.

sábado, 3 de outubro de 2009

Parques Teatrais


Amigos, fiquei sem atualizar o blog por alguns motivos, dentre eles a perda de uma pessoa querida, mas agora pretendo recuperar o tempo perdido com a indicação de 16 espetáculos teatrais de uma única vez: trata-se do projeto TEATRO NOS PARQUES, que estou produzindo.

Comentar sobre os espetáculos talvez não fosse justo, pois não conheço todos. Como houve uma seleção, posso garantir que a qualidade dos trabalhos está bem interessante.

Até o final de outubro, 32 parques da cidade de São Paulo contemplarão espetáculos teatrais, totalizando 64 sessões gratuitas por toda a capital.
A programação encontra-se disponível no site: www.cooperativadeteatro.com.br/teatronosparques . Eu também estou à disposição para outras informações.

sábado, 1 de agosto de 2009

Muito mais que AS CENTENÁRIAS de uma grande família

foto extraída de:
onde contém uma matéria também interessante para leitura



Novamente estou em estado de choque. Às vezes esqueço o prazer proporcionado por um bom espetáculo teatral. Ontem, reavivei minha memória ao conferir AS CENTENÁRIAS.

Por se tratar de uma criação carioca, confesso que eu não tinha conhecimento da trajetória desse trabalho. Segundo o site http://www.fecomercio.com.br/pagina.php?tipo=20&pg=1319: ‘As Centenárias’ teve casa lotada por um ano e meio no Teatro Poeira, de propriedade das atrizes, e venceu os principais prêmios de teatro do país: Shell de melhor autor (Newton Moreno), melhor atriz (Andrea Beltrão) e melhor cenário (Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque); Contigo de melhor atriz (Andréa Beltrão), melhor espetáculo de comédia (júri oficial e voto popular) e melhor autor (Newton Moreno); Prêmio Qualidade Brasil de melhor espetáculo comédia, melhor atriz de comédia (Marieta Severo) e melhor diretor de comédia (Aderbal Freire-Filho); e APTR de melhor atriz (Andrea Beltrão).


Ultimamente tenho dado atenção especial a comédias, já que riso garantido, em minha opinião, não é sinônimo de espetáculo bom. Comédia de verdade parte da inteligência, faz pensar. E fui tão desarmado assistir a esse espetáculo, que nem sabia que se tratava de uma proposta cômica.


A partir do filme Veronica (que tem um forte teor dramático), tenho observado com mais atenção os trabalhos de Andréa Beltrão (como a minissérie Som & Fúria, por exemplo). Uma atriz que sempre fez muitos personagens engraçados, comprova em AS CENTENÁRIAS uma tese tão antiga: para fazer rir, o ator precisa dominar os tempos da comédia. E é o que faz Andréa Beltrão durante todo o espetáculo.


Seria um absurdo deixar de comentar que Marieta Severo parece uma menina em cena. Muito diferente de tudo que já vi d e seu trabalho: uma atriz madura explicitamente pesquisando em cena, explorando um corpo que muita jovem não tem... Enfim: comprova que é muito mais que a Nenê do centenário A grande família ou muito mais nobre que a sequência grande de milionárias que fez em novelas globais. Uma atriz para quem devemos tirar o chapéu.


E quem seria o ator que representa nada menos que a morte? O nome dele é Sávio Moll. Ele manipula muitos dos bonecos que dividem cena com as atrizes. Aparece discretamente em princípio, mas vai crescendo a cada nova aparição. Detalhe: seus movimentos em cena (provavelmente coreografados) remetem ao desenho animado, dando um toque especial ao trabalho como um todo.


Ótima dramaturgia (escrita especialmente para as atrizes - a pedido das próprias - e em total sintonia com a encenação), somada a elementos cenográficos com funções muito claras (o cenário é constituído de um número expressivo de bonecos, que representam a morte e permanecem como observadores da cena), luz bem desenhada, atores experimentando sem pudores, uma pitada circense e uma direção que explora o melhor de cada elemento, comprovam que teatro bom é aquele em que há um todo harmônico!!!


Finalizo dizendo que o ingresso não é dos mais baratos, mas vale cada centavo pago! Pena que a temporada de São Paulo, após inúmeras prorrogações, termina em breve (se não me engano, em 09/08/09).





AS CENTENÁRIAS
Com Marieta Severo, Andréa Beltrão e Sávio Moll. Direção: Aderbal Freire-Filho. Texto: Newton Moreno. Cenário: Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque. Figurinos: Samuel Abrantes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Musical: Tato Taborda. Pesquisa de repertório das incelenças: Silvia Sobreira. Bonecos de cena: Miguel Vellinho. Bonecos do cenário: Mestre Tonho e Ivete Dibo. Em cartaz: Sexta, às 21h30m , sábado, às 21h e domingo, às 17h, no Teatro Raul Cortez (Rua Doutor Plínio Barreto, 285 - Bela Vista / Tel: (11) 2198.7701)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Off Teatro: Projeto de Lei obriga políticos a matricularem filhos em escolas públicas

Criei esse blog exclusivamente para falar sobre teatro. No entanto, acabo de receber o e-mail abaixo e resolvi publicá-lo por aqui como uma forma de dar a minha contribuição para que o PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007 (vide site: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166 ) possa ser aprovado.


Olá pessoal,

Seguem informações sobre este interessante e polêmico projeto de lei:

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em Escolas públicas.

Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis.. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM. Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pequena gralha - agarrada num traço a lápis

Eu não poderia deixar de falar nesse espaço do Grupo Lume. Embora eu não conheça tão a fundo seu trabalho, durante um tempo significativo de minha trajetória, grande parte do treinamento físico que realizei proveio de uma pesquisadora que bebeu muito dessa fonte campineira: Cátia Massotti. Então falemos do espetáculo KAVKA – agarrado num traço a lápis, que permanece em cartaz no SESC Consolação (Teatro Anchieta) até 02/08 (ou, de acordo com o site do SESC, seria dia 24/08?).

Começo pelo ponto mais forte: as formas. A beleza formal do espetáculo é de deixar de queixo caído. O corpo de Ricardo Puccetti nesse seu monólogo é extremamente vivo e pulsante. Cada movimento, totalmente coreografado e incrustado de organicidade, gera seu significado próprio.

Tudo vai muito bem até começar o texto. A impressão que tenho é que nenhuma palavra precisaria ser dita, diante de formas que comunicam tão bem. Parece que não há conexão entre fala e forma, o que gera uma poluição. O enredo passa a ficar quase desconexo, de difícil entendimento, o que resulta em mais um trabalho que chamo de cabeção.

O espetáculo o tempo todo me remeteu à dança. Após terminar, quando peguei o programa, me deparei com uma sinopse que explica tratar-se de uma noite imaginária em que Franz Kafka “mergulha em seu mundo interior”. Novamente o que considero o elemento presente na maioria dos espetáculos de dança: a subjetividade. Como falar concretamente do inconcreto?

É mais um espetáculo que me aflora questões de dramaturgia em seus diversos campos: da cena, do ator, do texto. E nesse sentido, minha vontade é de correr pros braços de Denise Stoklos!!!

Independentemente de qualquer coisa, KAVKA (que significa pequena gralha) – agarrado num traço a lápis é um espetáculo que merece ser visto. Mais informações sobre o grupo, visite: http://www.lumeteatro.com.br/ (de onde foram extraídas as fotos aqui publicadas).





CRIAÇÃO E DRAMATURGIA: Ricardo Puccetti e Naomi Silman - Inspirado em fragmentos de textos de Franz Kafka e Ricardo Puccetti. ATUAÇÃO: Ricardo Puccetti. DIREÇÃO: Naomi Silman. CENOGRAFIA: Maxim Bucharetchi. MÚSICA ORIGINAL: Uri Frost. CLARINETISTA: Harold Rubin. MÚSICA INCIDENTAL: MAMBOS de Yma Sumac. DESENHO DE LUZ: Eduardo Albergaria. DIREÇÃO E MONTAGEM DE VÍDEO: Julia Zakia (Gato do Parque). FIGURINO E ACESSÓRIOS: Juliana Pfeifer. CONFECÇÃO DE FIGURINO: Sanny Rigor. INSTRUTOR DE MÁGICA: Ricardo HaradaCENOTÉCNICO: Marcos Pinto (Marcutti). PRODUÇÃO EXECUTIVA: Cynthia Margareth. REALIZAÇÃO: LUME Teatro.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Laboratório de Figurantes


Vou começar esse registro explicando meu vínculo com o espetáculo sobre o qual farei algumas colocações: OS FIGURANTES. No período de dezembro de 2007 a março de 2009, produzi a Casa Laboratório para as Artes do Teatro, grupo dirigido por Cacá Carvalho e que tem uma importante parceria com a italiana Fondazione Pontedera Teatro. Ao longo desse período, dei continuidade à vida do espetáculo O Homem Provisório durante 6 meses, que deu lugar ao projeto A CASA ABERTA: um convite à visitação de mestres e aprendizes, financiado pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. Produzi integralmente uma série de oficinas, palestras e workshops com artistas do Rio de Janeiro, Bahia, Itália, Polônia e Cingapura. Foi um trabalho intenso que não previa a montagem de um espetáculo, mas inevitavelmente gerou o embrião de Os Figurantes.

Durante o processo de pesquisa e montagem, e enquanto eu ainda produzia o grupo, o espetáculo teve seu processo aberto em dois momentos: o primeiro enquanto um SARAU CÊNICO e o segundo, marcando a finalização do Fomento, foi intitulado 1º ES TUDO URBANO. Três meses e meio depois, no caso hoje, assisto ao trabalho pronto que agora é OS FIGURANTES.

Sobre o trabalho, posso dizer que é uma experimentação muito diferente das anteriores - A Sombra de Quixote (partiu de Dom Quixote, de Cervantes) e O Homem Provisório (teve como ponto de partida Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa). Agora não houve um texto único que servisse de estímulo inicial: cada ator escolheu livremente um texto e apresentou uma cena ao diretor. A partir de então, iniciou-se um processo de colagens e uma nova dramaturgia passou a ser escrita (com a presença de Cláudia Barral em princípio e finalização dos próprios atores).

Como resultado temos um trabalho que não conta uma história, mas expõe sete trajetórias. Sete figurantes, que emocionam trazendo à tona suas questões, as quais nos remetem ao nosso próprio dia-a-dia (lembre-se que tudo partiu de um estudo sobre o urbano). Enquanto o protagonista tudo observa do alto, com a liberdade que seu “habitat” lhe permite. A parceria entre Márcio Medina (espaço e figurinos) e Fábio Retti (luz) se repete e novamente resulta numa sincronia muito bela. É um trabalho que faz valer o nome Casa Laboratório.

Em cartaz na Rua Conselheiro Brotero, 182, Barra Funda, São Paulo (atual sede do grupo – praticamente construída por mim), de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h, até o dia 09/08/2009. Reservas devem ser feitas pelo e-mail: reservas@casalaboratorio.com.br ou pelo telefone: 3661-0068.


Direção Artística: Cacá Carvalho. Elenco: Daniel Ribeiro, Joana Levi, Juliana Grave, Laila Garin, Leonardo Ventura, Marcelo Valente e Raquel Tamaio. Espaço e Figurino: Márcio Medina. Luz: Fábio Retti. Dramaturgia: Cláudia Barral e Elenco. Concepção de Trilha Sonora: Ernani Napolitano. Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro. Produção Executiva: Pedro de Freitas/Périplo Produções Culturais. Assistência de Produção: Lívia Gabriel. Coordenação de Produção: Carla Pollastrelli. Colaboração Artística: Roberto Bacci. Foto: Divulgação / Fábio Alcover. Realização: Casa Laboratório para as Artes do Teatro e Fondazione Pontedera Teatro.

domingo, 12 de julho de 2009

Mais uma história de MARIA. E assim o teatro PEREGRINA.


“Uma história graciosa”, no melhor sentido da palavra, define o espetáculo Maria Peregrina. Com 9 anos de estrada e muitos prêmios, esse trabalho é uma demonstração de exploração da contação de uma história partindo do narrador, que olha no fundo dos seus olhos, e do personagem, que ilustra a cena. Com quebras excelentes e algumas piadas nos momentos adequados.

Ao entrar na semi-arena do histórico Teatro de Arena Eugênio Kusnet, um clima de doce alegria seduz o público, que permanece com esse semblante até o final do espetáculo. Em menos de uma hora, um misto de elementos teatrais bem sincronizados comunica o que se propõe de forma poética. E sem utilizar o recurso da história de final feliz ou da mensagem de caráter moral.

A cada dia que passa tenho mais certeza de que a simplicidade no teatro é sinônimo de beleza. E isso prova como o gosto pessoal não é importante: o teatro é muito mais. Digo isso, pois eu não teria optado pelos cenários e figurinos escolhidos, assim como também a temática não é a que mais me atrai. No entanto nada disso tem importância, uma vez que o espetáculo é costurado de uma forma tão objetiva, que todos os signos tem um porquê de ser. Sem contar o mais importante: saio de lá refletindo sobre como são construídas as verdades. Ponto positivo!!!

Meu ponto negativo vai para o funcionário da Funarte, que obviamente não entendeu o espírito do espetáculo. O rapaz indicou que o público não se espalhasse pela platéia para “não dispersar”. Resultado: os próprios atores sentiram-se incomodados ao ver a plateia aglutinada da porta ao meio do teatro.
Maria Peregrina fica em cartaz só mais essa semana (até 19/07/2009): sexta e sábado às 21h e domingo às 19h, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque / SP). Visite também o blog da Cia. Teatro da Cidade, responsável pelo trabalho: http://ciateatrodacidade.blogspot.com/ .


Texto: Luís Alberto de Abreu. Direção: Claudio Mendel. Elenco: Adriana Barja, Conceição de Castro, Caren Ruaro, André Ravasco, Tamara Cardoso e Vander Palma. Direção musical: Márcio de Oliveira. Cenário, figurino e adereços: Carlos Eduardo Colabone. Iluminação: Daniel Augusto e Claudio Mendel. Produção executiva: Carla Maciel. Fotógrafo: Tito Oliveira (as fotos aqui expostas são de Paulo Arias).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A boa farsa dá preguiça

Hoje, aplaudo de pé a genialidade de Ariano Suassuna, pois acabo de conhecer mais um texto seu tão maravilhoso: A FARSA DA BOA PREGUIÇA!!!

Sou muito grato à versão que se encontra em cartaz no SESC Vila Mariana, pois me fez enxergar o quanto um dramaturgo pode ser generoso. Nesse texto, Ariano Suassuna mais uma vez estimula a criação: personagens bem desenhados, um enredo de piadas bem ajustadas, uma musicalidade implícita... enfim divertidíssimo!!! Um real convite à experimentação!!!

Uma pena que de tantos profissionais envolvidos, somente uma atriz tenha entendido a pegada do dramaturgo. Triste assistir a um musical que não tem sonoplastia, que possui uns 2 ou 3 momentos musicados (e bem tímidos) e cujo trabalho vocal peca na articulação das palavras. Que possui uma iluminação que sequer tem a sensibilidade de acender a plateia em uma cena na qual o ator vai até o público. Pena que o cenário de tão batido, e em um palco tão grande, reduz o espaço cênico. Ou que os figurinos dêem a sensação de que os atores utilizam pijamas em cena.

Teatro definitivamente não se resume a um bom texto ou à bela criação de uma única atriz (quando se há vários outros companheiros em cena). Se teatro é o que se vê, entende-se que é necessária uma harmonia dos elementos.

Fazer rir com um texto tão bom, não é muito difícil. Mas e qual é a qualidade desse riso? O meu era um risinho de canto de boca. Tive a impressão de que muita gente se esforçava para achar a graça (e com certeza, a gente alcança aquilo que almeja).

Parece que ultimamente o SESC tem dado preferência aos globais mesmo. Estou enganado ou nos últimos tempos cresceu significativamente o número de espetáculos com gente de TV? Não desmerecendo artistas com o gabarito de Fernanda Montenegro (ihhh... quando fui comprar meu ingresso, já havia esgotado!) ou Sérgio Britto (que no auge de seus mais de 80 anos, experimenta de verdade e se expõe com dois Becketts). E de uma hora para a outra, esse mesmo SESC resolve não dar mais desconto para a classe artística na compra de ingressos para alguns de seus espetáculos (aliás, eu adoraria saber o motivo, já que os grandes nomes do teatro, apenas aqueles que são amiguinhos da turma, não precisam de desconto: ganham convites). E permanecem contratações caríssimas para uns e irrisórias (quando efetivadas) para outros. Será que alguém poderia me explicar o que acontece?

Para garantir a dialética, segue o link de uma crítica de Barbara Heliodora para o jornal O GLOBO, que classifica a encenação aqui comentada como “a melhor já feita da obra de Suassuna”: http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2009/04/23/encenacao-de-farsa-da-boa-preguica-a-melhor-ja-feita-da-obra-de-ariano-suassuna-755404468.asp . Lá, a ficha técnica também é mencionada, por isso (e porque estou com preguiça) não disponibilizarei aqui.

E que venham mais comentários!!!

















No endereço:
há detalhes da temporada paulistana. Que preguiça!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Duas vezes teatro na noite mais fria do ano

Uma peça de teatro termina. É o momento das palmas. O ator agradece, mas o público não sai porque começa o momento da revelação (não, não é a novela do SBT, embora ela seja citada): aquilo não passava de teatro. Mas o momento a partir da revelação, esse “agora”, também não é teatro?

Certa vez me disseram que a vida é muito mais interessante que o teatro. Nessa semana, ouvi que o teatro é uma oportunidade para criarmos algo além da vida. Acredito que essas duas ideias estão presentes no espetáculo A NOITE MAIS FRIA DO ANO. Uma peça que brinca com o teatro e com a vida.

Se o tema é complexo para os artistas, imagina para o público que não freqüenta teatro - seria a minha primeira colocação se eu lesse os dois parágrafos acima. Mas esse trabalho apenas usa o teatro para colocar em xeque relacionamentos amorosos; o amor enquanto apego ou doença; o homem enquanto um ser que manipula sentimentos, mente, blefa.

Um Bortolloto de poucos palavrões. Um parlapatão chorando em cena: o mesmo palhaço (nesse trabalho sem qualquer indumentária) que faz rir durante boa parte do tempo, também chora e dá vida a um homem dramaticamente apaixonado. Tais ingredientes, somados a tantos outros, comunica aquilo a que se propõe. E a(s) história(s) encenada(s) é(são) só pretexto(s).

A NOITE MAIS FRIA DO ANO.
Texto e direção: Marcelo Rubens Paiva. Co-Direção: Fernanda D’Umbra. Elenco: Alex Gruli, Hugo Possolo, Mário Bortolotto e Paula Cohen. Produção Executiva: Anna Cecília Junqueira. Assistência de Produção: Larissa Orlow e Edu Reyes. Luz e Fotografia: Rui Mendes e Lu Barone. Cenografia: Zé Carratu. Sonoplastia: Aline Meyer e Marcelo Rubens Paiva. Colaboração: Mário Bortolotto. Programação Visual: Richard Kóvacs. Em cartaz no Espaço Parlapatões (Pça. Roosevelt, 158 – Centro – São Paulo) até 29/07, terças e quartas às 21h.






sexta-feira, 26 de junho de 2009

Anatomia de outro Agreste

Não comentei aqui sobre Agreste, que assisti há pouco mais de um mês. Com certeza, foi um do melhores espetáculos que vi nos últimos tempos, por alguns motivos: trabalho dos atores, encenação e cenografia. Não é à toa que é um espetáculo tão premiado e com tanto tempo de estrada. Um pouco longo apenas, mas belíssimo (com destaque para a cena final – que obviamente não vou contar, já que o espetáculo continua em cartaz no Espaço Parlapatões aos sábados e domingos –, que além de esteticamente bonita e muito simples, é bastante emocionante).
Por tudo isso, acabo de chegar de outro espetáculo também da Cia. Razões Inversas: ANATOMIA FROZEN. Não quero aqui fazer comparações, pois eles são muito diferentes, o que acho ótimo: artistas de grande gabarito levando uma outra proposta para a cena.
Não tenho como deixar de dizer: essa é uma peça cabeção! Dois atores que dominam a cena, figurinos originais, cenografia composta por três banquinhos, em uma sala pequena que faz com que o público se sinta intimidado com a presença dos atores, desde o momento que entram em cena.
Eu definiria como um drama pesado! Que me toca por trazer à tona o poder de manipulação do homem, os estragos que o abuso às crianças fazem em suas vidas. Todo um teor dramático extravasado por duas máscaras e um figurino que propõe contestação: uma médica que veste um avental de abatedouro.
Um espetáculo de muitos signos (e a maioria muito simples e objetivos). Interessante! Mas, pensando no todo, é difícil! É daqueles trabalhos que você sai tenso não apenas pela profundidade da temática, mas porque não é de simples compreensão mesmo. Chegando a dar a sensação de que é necessário assistir novamente para entender melhor.
Eu gostaria muito de compartilhar da visão de outras pessoas. Assista e comente, por favor!!!

Só uma pequena observação: esse espetáculo, que está em cartaz, às quintas e sextas no Espaço Vitrine (totalmente alternativo), do Teatro Imprensa, tem como entrada uma lata de leite em pó até o dia 3 de julho (permanecerá em cartaz até 28 de agosto com ingresso a R$ 10,00). É bom saber de iniciativas assim em um teatro que é mais conhecido por espetáculos comerciais.


ANATOMIA FROZEN. Texto: Bryony Lavery. Direção: Marcio Aurelio. Assistente de direção: Lígia Pereira. Elenco: Joca Andreazza e Paulo Marcello. Tradução: Rachel Ripani. Iluminação, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio. Projeto Gráfico: Pedo Penafiel. Idealização: Rachel Ripani. Realização: Razões Inversas Marketing Cultural em associação a Rachel Ripani Produções. Foto: Divulgação / Pedro Palhares

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Calendário da Stoklos

Que medo! Escrever sobre Denise Stoklos é muita responsabilidade. O que falar sobre uma artista que cumpre aquilo a que se propõe de forma tão poética e provocadora?

Há cerca de 3 semanas assisti a Calendário da Pedra (foto de Thais Stoklos, extraída do site: http://denisestoklos.uol.com.br). Fiquei em estado de choque. E agora, relendo o texto (comprei o livro do espetáculo) e sentado em frente ao computador, percebo que não tenho muito a dizer: continuo boquiaberto.

Um espetáculo que utiliza como único elemento de cena, uma pedra (ou uma cama). Inserções sonoras e luz afinadíssimas. Uma autora. Uma diretora. Uma atriz. 3 em 1: o teatro essencial!

Lá, tudo tem um porquê de ser. A organicidade das sequências de movimentos coreografados ou das falas, não morre no belo: tem vida própria, faz rir, faz chorar. Teria tudo pra ser cabeção, para uma elite dos ditos iniciados no teatro. Mas não é!!! É simples!!! E em minha opinião, o que faz uma grande obra é a simplicidade, sua capacidade de comunicação com diferentes públicos.

O enredo trata do dia-a-dia de uma mulher. E numa espécie de prólogo, ela deixa claro que não se trata de uma personagem, a mulher poderia ser qualquer pessoa. E é verdade!!! Em cena, essa mulher é a “persona” que a artista utiliza para cutucar o público. Tudo em cena é muito político.

Falar sobre política em teatro, para mim, é muito instigante: detesto espetáculos de cunho político-panfletário ou aqueles cujos discursos defendem o proletariado de uma elite malvada. Eu não gosto, pois na grande maioria das vezes, usam-se argumentos tendenciosos, o que considero prejudicial, já que, nesses casos, a reflexão lançada parte de um ponto de vista que é colocado enquanto verdade absoluta.

Este não é o caso de Calendário da Pedra. A política está o tempo todo presente, mas sem as tais verdades de discurso. O público é convidado a rever conceitos o tempo todo. Aonde quer chegar uma artista que diz em cena: “Encontrei meus amigos num restaurante, conversamos, bebemos, rimos, debochamos de tudo, somos muito críticos, nada serve, concordamos, está tudo ruim. Menos o sushi e o saquê.” (trecho extraído do livro Calendário da Pedra, que contém a íntegra do texto do espetáculo)?

Não tenho mais palavras. Sugiro apenas que visite o site: http://denisestoklos.uol.com.br e ouça duas faixas sonoras de abertura da página que falam de seu teatro essencial. A partir disso, é possível entender melhor por que Denise Stoklos é uma das mais importantes artistas de teatro da atualidade. Uma artista que atingiu um nível de pesquisa cênica que poucos no mundo atingem. Uma artista completa.



CALENDÁRIO DA PEDRA. Texto, direção, dramaturgia, coreografia e interpretação: Denise Stoklos. Assistente de direção e dramaturgia, pesquisa bibliográfica e voz gravada: Antonia Ratto. Espaço cênico e vídeo:Leonardo Ceolin e Thais Stoklos Kignel. Sonoplastia: Piatã Stoklos Kignel, Thais Stoklos Kignel, Antonia Ratto, Denise Stoklos. Iluminação: Wagner Freire. Figurino: Marie Toscano. Assistente de figurino: Carolina Ferraz. Fotografia: Thais Stoklos Kignel

domingo, 21 de junho de 2009

Esse é um dos Caminhos


Conforme disse em meu primeiro registro, chegou a vez de comentar: Caminhos. Também em cartaz no Centro Cultural São Paulo, somente até 02/07/2009, de terça a quinta, às 21h, no Espaço Ademar Guerra, o mesmo porão de Poe, Edgar, porém dentro de outra proposta bem diferente.
Aliás, essa é uma questão que tenho procurado observar com atenção: o entendimento das propostas cênicas. No comentário sobre Poe, Edgar eu disse que a ocupação do espaço é muito interessante. Em Caminhos também é, embora o que importe seja apenas 4 paredes, um espaço até que bem pequeno do grande porão.
O espaço cênico, composto por pufs e almofadas sobre alguns tapetes, abriga atores e público. Ao chegar ao ambiente, é difícil identificar os atores, a ponto de que quando o primeiro começou a contar sua história, fiquei em dúvida se não se tratava de uma pessoa da plateia. Havia muita verdade em suas palavras. Ponto positivo!!!
Na sinopse do espetáculo, ele é tido como um poema dramático. Não encontro melhor definição, pois ele é exatamente isso: atores, totalmente despidos de personagens, colocando sua cara a bater por meio de questões que nos tocam fundo e causam muita reflexão sobre o dia-a-dia, o homem da contemporaneidade, relações etc.
O ponto forte, em minha opinião, é a disponibilidade dos atores. Eles estão o tempo todo com a plateia, olhando em nossos olhos. E houve muita verdade durante grande parte do espetáculo (apenas alguns tropeços ou um ou outro ator mais verdadeiro, mas que não chega a prejudicar o conjunto).
Cada ator usava uma máscara quase imperceptível, composta por um ponto de lápis próximo a cada olho. Como recentemente comecei a estudar um pouco sobre clown e fui assistir ao espetáculo justamente para conhecer o trabalho da diretora que é uma das pessoas que trabalha ou trabalhou com grandes artistas clownescos ou palhaços (quase todo o pessoal do Jogando no Quintal, por exemplo), observei essa sutileza, o que me fez refletir sobre o estado do clown e entender melhor algumas coisas: aqueles atores utilizavam essa técnica para fazer um drama profundíssimo (que, inclusive, tinha momentos engraçadíssimos, mas no todo, não seria classificado, pelos critérios padrão, como uma comédia).
Eu diria que a simplicidade, atrelada a um belo acabamento estético também são características desse trabalho. Um amigo meu, disse que achou o espetáculo longo, já que após 15 minutos já tinha entendido tudo. Eu continuei tocado por muito mais tempo. Ainda assim, talvez enxugar um pouco fosse uma alternativa, mas eu não saberia dizer o que enxugar. Quando eu tinha a sensação de que não havia mais caminhos a serem explorados, novos elementos surgiam, abrindo novos campos de reflexão.
Mas acho que o final é um problema. Como já disse, espetáculo nos leva a muitas reflexões. Permanecemos sentados no chão ou em almofadas ou pufs durante todo o tempo e no final, não há um black-out ou o “momento de bater palmas”. Até aí, acho ótimo. É muito claro que faz parte da proposta. Mas o problema é que, embora hajam diversos elementos indicadores de que o espetáculo terminou, percebi que não fui somente eu que não tive vontade de levantar. Deu uma certa preguiça, uma depressãozinha, pois o conteúdo ali exposto é provocador e não te deixa à vontade nem pra levantar e ir embora quando tudo já terminou. Permanece a dúvida: será que terminou mesmo?
Fui o primeiro a sair, em um momento que os atores convidavam algumas pessoas para verem alguns LPs. Talvez eu tenha causado a impressão de descontente para alguns, mas não foi nada disso. Repito: estava claríssimo que essa era a proposta para o final, mas eu questiono essa opção, pois se eu não tivesse entendido, eu poderia ter ficado lá por algumas horas.
Mais um trabalho que recomendo!!!! E creio que mesmo quem não goste da proposta, sai do espetáculo refletindo sobre várias coisas, o que faz com que o espetáculo fique em minha lista de preferidos dos últimos tempos.

CAMINHOS. Grupo: Konan e os Bárbaros Cia. Teatral – texto: Rubens Rewald – direção: Cristiane Paoli Quito – elenco: Camila Minhoto, Gabriela Germano, Fernanda Castello Branco, Fabrício Licursi, Luciana Paes e Thiago Amaral.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Grito, da Companhia

Acabo de chegar de mais um espetáculo: Poe, Edgar. Fui assistir a uma amiga que tem uma trajetória profissional parecida com a minha e me deparei com um trabalho muito interessante.

O espetáculo mescla fatos da vida de Edgar Alan Poe, com alguns de seus textos. Eu não teria propriedade para comentá-los, portanto prefiro apenas dizer que vi uma unidade textual que muitas amarrações por aí não atingem. Um ou outro momento mais de difícil entendimento não se destacavam à conexão geral bem delineada.

Isso proporcionou claramente uma exploração dos atores, incluindo a presença de uma narradora que fazia inserções de um modo muito verdadeiro (sem a chatice do narrador que só comenta).

Tenho a impressão de que em alguns momentos é possível afinar melhor a trilha sonora com as falas dos atores. Também penso que se enxugar um pouquinho a reta final, o público não chegará a olhar no relógio para saber as horas.

Mas o ponto mais forte do espetáculo, em minha humilde opinião, é a exploração espacial!!! Tenho visto muitos espetáculos naquele porão do Centro Cultural São Paulo e a maioria opta ali por apenas para fugir da relação à italiana. No entanto, esse trabalho explora muito bem o espaço (atores sobre as vigas de concreto, uma parece de tijolinhos à vista remetendo a um caixão etc...), colocando o público numa relação que não é inovadora (nem precisaria ser), mas que tem tudo a ver com as opções de cena.

Eu recomendo!!! E sei que continuará em cartaz lá até 05/07/2009, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.

Poe, Edgar – Centro Cultural São Paulo. Direção e Concepção Cênica Geral: Roberto Morettho. Elenco: Abel Xavier, Alessandro Hernandez, Carol Cashie, Léia Rapozo, Ligia Borges, Perla Frenda. Concepção Cênica de O Corvo: Tati Guimarães; de o Gato Preto: Eduardo Parisi; de Assassinatos na Rua Morgue: Lilih Curi e Roberto Morettho.Texto: Paula Chagas Autran e Roberto Morettho.

Forças!!! E Fui...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O primeiro registro

Tive a ideia a alguns dias, mas hoje decidi criar esse espaço para compartilhar um pouco sobre teatro.

Tenho como objetivo principal no uso desse espaço, escrever minhas impressões sobre espetáculos teatrais que tenho assistido. Portanto não se trata de críticas e tentarei evitar ao extremo a exposição de meu gosto pessoal, já que gosto não se discute e há sempre aspectos artísticos a serem considerados em qualquer obra teatral.

Agora são pouco mais de 1h da manhã. Eu já estava indo pra cama, mas resolvi voltar, pois não há data melhor do que hoje para iniciar esse registro: acabo de assistir ao espetáculo PODE SER QUE SEJA SÓ O LEITEIRO LÁ FORA, que tem texto de Caio Fernando Abreu.

Para mim, a data é especial, pois é a primeira vez que assisto a uma outra montagem do primeiro texto no qual atuei. Isso foi em 2002, ainda numa estrutura de escola de teatro (Escola Don Quijote do Amanhã).

Essa montagem que acabo de conferir no Casarão do Belvedere (São Paulo), teve direção de Thiago Kozonoi e no elenco estavam: Daniel Grobman Machado, Emerson Grotti, Ednei Batista, Lívia Sales, Marina Sousa, Priscila Clemente e Tainah Brandão.

Trata-se da história de um grupo de amigos que se abrigam do frio e da chuva em uma casa abandonada. Lá expõem conflitos pessoais e coletivos. Após tomarem um chá "de ervas orientais", começam uma viagem alucinógena que coloca em xeque a identidade de cada um, crenças, sentido da vida etc.

É muitíssimo estranho pensar uma visão desse texto tão diferente da que tivemos na época da montagem. Não vou falar muito do processo que vivi, mas tenho a impressão de que a apropriação do conteúdo foi muitíssimo diferente. Um exemplo: na montagem de hoje, não senti espaço para piadas, quando creio que o texto possui inúmeras! Mas ao mesmo tempo, foi ressaltada uma relação entre dois personagens (Léo e João) que considero mais rica do que a de nossa montagem (até mesmo considerando que adaptamos o texto eliminando o João).

Eu não poderia deixar de falar sobre Alice Cooper, o personagem que interpretei. Na nossa concepção, ele era uma figura central do espetáculo, capaz de mudar rumos na história. Um bissexual que se traveste de Alice Cooper (um roqueiro, ainda vivo, marcado por figurinos sempre muito pesados e o rosto pintado), mas mantém um gosto elevado por cores. Nossa concepção era de um homem muito andrógeno.

Minha decepção em relação a Alice Cooper, foi ver uma menina toda vestida de preto o intepretando. Ela apenas fazia menção ao gosto dele pelas cores.

Essa impressão se deu em relação a toda a criação. Em alguns momentos, eu apenas via texto em cena. Mas e a vida do teatro? E a criação do ator?

A partir da alucinação, há uma fala que diz que dali em diante tudo é possível. E parece que aqueles artistas quiseram colocar tudo em cena. Uma certa confusão mesmo. E um final totalmente criado por eles, que quebrava com a proposta de Caio e deixou o público meio sem ação, já que os atores levavam uma bronca de um senhor que aparecia do nada dizendo que faziam muito barulho. Eles recolhiam seus objetos de cena, pediam desculpas ao público e saíam. Essa relação final com o público, soou falsa, pois parecia forjada, já que se tratava do final (sendo que ela não existiu em nenhum momento do trabalho).

Respeito as opções. Acho meio descabido o final, mas essa é apenas a minha visão. Prefiro evitar opções mais realistas no teatro, pois acho que, diferentemente da TV e da grande maioria do cinema, o teatro é uma linguagem que permite outros tipos de experimentação.

Se me perguntassem o que ficou para mim desse espetáculo, eu diria: a sensação de que a ideia de Caio não foi bem explorada, pois não ficou exaltada a crítica que ele faz ao mundo atual de guerras e destruição em massa. Acredito que um caminho pra isso seria reduzir textos, aprofundar melhor o conteúdo de cada personagem (um Alice Cooper que adora luzes, purpurina, a cor vermelha, jamais poderia ter um figurino de roqueiro apenas) e objetivar significativamente o momento de alucinação.

Por hoje, acho que basta. E como diria Alice Cooper (pelo menos o meu, usando as palavras de Caio): Forças!!!

Já vou deixar meu registro sobre alguns espetáculos que pretendo comentar em breve: Jogando no Quintal e Caleidoscópio (ambos do grupo Jogando no Quintal), Calendário das Pedras (de Denise Stoklos), Caminhos (que assisti ontem. Com direção de Chrisiane Paoli Quito - preciso checar se escrevi seu nome corretamente) e Agreste (direção de Márcio Aurélio).

Forças!!! (de novo)