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domingo, 29 de novembro de 2015

A DIFERENÇA ENTRE AJUDAR E SERVIR


A DIFERENÇA ENTRE AJUDAR E SERVIR

Em minha adolescência, tive uma professora de português a quem eu fazia uma enxurrada de perguntas a cada nova aula. Ela sempre estava disposta a ajudar, desdobrando-se para atender a todas as minhas solicitações.

Poucos anos depois, fui pedir ajuda a um professor de história: fiz-lhe uma pergunta e ele me disse que eu mesmo deveria ir pesquisar a resposta, já que no mundo nem sempre haveriam professores à minha disposição. Naquele momento fiquei indignado com sua atitude, afinal eu achava que aquela era sua obrigação.

Hoje, enxergo claramente a diferença entre as posturas de cada um: a professora de português me ajudou (permitindo que eu me tornasse um aluno preguiçoso) e o professor de história me serviu (estimulando que eu mesmo buscasse meus caminhos).

Ao ajudar outra pessoa, partimos do princípio de que ela precisa de algo, como se fosse menos capaz de conseguir por si própria. É comum ao pedinte colocar-se na condição de vítima, enquanto quem ajuda se coloca, mesmo que inconscientemente, como superior. Desse modo, quem ajuda, está reforçando a falsa incapacidade do pedinte, e o resultado é que o desgaste para suprir a necessidade alheia faz com que perca sua própria energia. Mesmo porque quem é ajudado uma vez, habitua-se ao conforto de receber a ajuda e provavelmente pedirá novamente, novamente, novamente...

O servidor tem outra consciência: ele se percebe como um canal de energia. Seu papel é apropriar-se de sua própria energia, honrando-a sem desperdiçá-la. Por isso transita entre doar e receber, sem se fixar em qualquer uma dessas polaridades, com equilíbrio e compaixão tanto pelo seu momento como pelo momento do outro. Ele é um provocador, que enxerga o outro como sendo tão capaz quanto ele próprio, percebendo que todas as relações envolvem trocas: o outro aprende com ele, assim como ele aprende com o outro. Meu professor de história não se recusou a responder minha pergunta: ele apenas percebeu que eu estava me identificando com a figura do pedinte.

Os verdadeiros servidores se enxergam como mestres, inclusive por entenderem que a maestria está à disposição de todos, ou seja, todos somos mestres. A percepção do momento é fundamental: um professor pode estar mais apropriado de determinadas in-formações do que o aluno, mas isso não significa que seja melhor que ele: simplesmente o momento de ambos é diferente!

Voltemos ao professor de história: naquele momento sua atitude me revoltou, no entanto baixada a poeira, pude me dar conta de que aquela situação transformou minha vida, já que me fez enxergar que é muito mais interessante eu buscar o aprendizado por mim mesmo do que depender da verdade dos outros, que pode inclusive não fazer sentido para mim. Ele se mostrou um servidor porque me tratou de igual para igual, fez com que eu me sentisse capaz de encontrar minha própria verdade.

Diante disso tudo, fica mais fácil percebermos que o foco de quem ajuda está no outro, não em si próprio, o que causa perda energética. Já o verdadeiro servidor concentra-se em si mesmo, não de forma egoísta, mas com a sabedoria de que ao cuidar de si próprio, sua energia emana consciência para o mundo todo. E consciência gera ainda mais consciência.

Ao expressarmos amor por nós mesmos, nós nos tornamos servidores do amor universal. E o servidor tem a consciência de que ensinar é estimular que o aluno se aproprie de sua inata capacidade de aprender.


Adriano Rizk
29/11/2015