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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Anatomia de outro Agreste

Não comentei aqui sobre Agreste, que assisti há pouco mais de um mês. Com certeza, foi um do melhores espetáculos que vi nos últimos tempos, por alguns motivos: trabalho dos atores, encenação e cenografia. Não é à toa que é um espetáculo tão premiado e com tanto tempo de estrada. Um pouco longo apenas, mas belíssimo (com destaque para a cena final – que obviamente não vou contar, já que o espetáculo continua em cartaz no Espaço Parlapatões aos sábados e domingos –, que além de esteticamente bonita e muito simples, é bastante emocionante).
Por tudo isso, acabo de chegar de outro espetáculo também da Cia. Razões Inversas: ANATOMIA FROZEN. Não quero aqui fazer comparações, pois eles são muito diferentes, o que acho ótimo: artistas de grande gabarito levando uma outra proposta para a cena.
Não tenho como deixar de dizer: essa é uma peça cabeção! Dois atores que dominam a cena, figurinos originais, cenografia composta por três banquinhos, em uma sala pequena que faz com que o público se sinta intimidado com a presença dos atores, desde o momento que entram em cena.
Eu definiria como um drama pesado! Que me toca por trazer à tona o poder de manipulação do homem, os estragos que o abuso às crianças fazem em suas vidas. Todo um teor dramático extravasado por duas máscaras e um figurino que propõe contestação: uma médica que veste um avental de abatedouro.
Um espetáculo de muitos signos (e a maioria muito simples e objetivos). Interessante! Mas, pensando no todo, é difícil! É daqueles trabalhos que você sai tenso não apenas pela profundidade da temática, mas porque não é de simples compreensão mesmo. Chegando a dar a sensação de que é necessário assistir novamente para entender melhor.
Eu gostaria muito de compartilhar da visão de outras pessoas. Assista e comente, por favor!!!

Só uma pequena observação: esse espetáculo, que está em cartaz, às quintas e sextas no Espaço Vitrine (totalmente alternativo), do Teatro Imprensa, tem como entrada uma lata de leite em pó até o dia 3 de julho (permanecerá em cartaz até 28 de agosto com ingresso a R$ 10,00). É bom saber de iniciativas assim em um teatro que é mais conhecido por espetáculos comerciais.


ANATOMIA FROZEN. Texto: Bryony Lavery. Direção: Marcio Aurelio. Assistente de direção: Lígia Pereira. Elenco: Joca Andreazza e Paulo Marcello. Tradução: Rachel Ripani. Iluminação, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio. Projeto Gráfico: Pedo Penafiel. Idealização: Rachel Ripani. Realização: Razões Inversas Marketing Cultural em associação a Rachel Ripani Produções. Foto: Divulgação / Pedro Palhares

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Calendário da Stoklos

Que medo! Escrever sobre Denise Stoklos é muita responsabilidade. O que falar sobre uma artista que cumpre aquilo a que se propõe de forma tão poética e provocadora?

Há cerca de 3 semanas assisti a Calendário da Pedra (foto de Thais Stoklos, extraída do site: http://denisestoklos.uol.com.br). Fiquei em estado de choque. E agora, relendo o texto (comprei o livro do espetáculo) e sentado em frente ao computador, percebo que não tenho muito a dizer: continuo boquiaberto.

Um espetáculo que utiliza como único elemento de cena, uma pedra (ou uma cama). Inserções sonoras e luz afinadíssimas. Uma autora. Uma diretora. Uma atriz. 3 em 1: o teatro essencial!

Lá, tudo tem um porquê de ser. A organicidade das sequências de movimentos coreografados ou das falas, não morre no belo: tem vida própria, faz rir, faz chorar. Teria tudo pra ser cabeção, para uma elite dos ditos iniciados no teatro. Mas não é!!! É simples!!! E em minha opinião, o que faz uma grande obra é a simplicidade, sua capacidade de comunicação com diferentes públicos.

O enredo trata do dia-a-dia de uma mulher. E numa espécie de prólogo, ela deixa claro que não se trata de uma personagem, a mulher poderia ser qualquer pessoa. E é verdade!!! Em cena, essa mulher é a “persona” que a artista utiliza para cutucar o público. Tudo em cena é muito político.

Falar sobre política em teatro, para mim, é muito instigante: detesto espetáculos de cunho político-panfletário ou aqueles cujos discursos defendem o proletariado de uma elite malvada. Eu não gosto, pois na grande maioria das vezes, usam-se argumentos tendenciosos, o que considero prejudicial, já que, nesses casos, a reflexão lançada parte de um ponto de vista que é colocado enquanto verdade absoluta.

Este não é o caso de Calendário da Pedra. A política está o tempo todo presente, mas sem as tais verdades de discurso. O público é convidado a rever conceitos o tempo todo. Aonde quer chegar uma artista que diz em cena: “Encontrei meus amigos num restaurante, conversamos, bebemos, rimos, debochamos de tudo, somos muito críticos, nada serve, concordamos, está tudo ruim. Menos o sushi e o saquê.” (trecho extraído do livro Calendário da Pedra, que contém a íntegra do texto do espetáculo)?

Não tenho mais palavras. Sugiro apenas que visite o site: http://denisestoklos.uol.com.br e ouça duas faixas sonoras de abertura da página que falam de seu teatro essencial. A partir disso, é possível entender melhor por que Denise Stoklos é uma das mais importantes artistas de teatro da atualidade. Uma artista que atingiu um nível de pesquisa cênica que poucos no mundo atingem. Uma artista completa.



CALENDÁRIO DA PEDRA. Texto, direção, dramaturgia, coreografia e interpretação: Denise Stoklos. Assistente de direção e dramaturgia, pesquisa bibliográfica e voz gravada: Antonia Ratto. Espaço cênico e vídeo:Leonardo Ceolin e Thais Stoklos Kignel. Sonoplastia: Piatã Stoklos Kignel, Thais Stoklos Kignel, Antonia Ratto, Denise Stoklos. Iluminação: Wagner Freire. Figurino: Marie Toscano. Assistente de figurino: Carolina Ferraz. Fotografia: Thais Stoklos Kignel

domingo, 21 de junho de 2009

Esse é um dos Caminhos


Conforme disse em meu primeiro registro, chegou a vez de comentar: Caminhos. Também em cartaz no Centro Cultural São Paulo, somente até 02/07/2009, de terça a quinta, às 21h, no Espaço Ademar Guerra, o mesmo porão de Poe, Edgar, porém dentro de outra proposta bem diferente.
Aliás, essa é uma questão que tenho procurado observar com atenção: o entendimento das propostas cênicas. No comentário sobre Poe, Edgar eu disse que a ocupação do espaço é muito interessante. Em Caminhos também é, embora o que importe seja apenas 4 paredes, um espaço até que bem pequeno do grande porão.
O espaço cênico, composto por pufs e almofadas sobre alguns tapetes, abriga atores e público. Ao chegar ao ambiente, é difícil identificar os atores, a ponto de que quando o primeiro começou a contar sua história, fiquei em dúvida se não se tratava de uma pessoa da plateia. Havia muita verdade em suas palavras. Ponto positivo!!!
Na sinopse do espetáculo, ele é tido como um poema dramático. Não encontro melhor definição, pois ele é exatamente isso: atores, totalmente despidos de personagens, colocando sua cara a bater por meio de questões que nos tocam fundo e causam muita reflexão sobre o dia-a-dia, o homem da contemporaneidade, relações etc.
O ponto forte, em minha opinião, é a disponibilidade dos atores. Eles estão o tempo todo com a plateia, olhando em nossos olhos. E houve muita verdade durante grande parte do espetáculo (apenas alguns tropeços ou um ou outro ator mais verdadeiro, mas que não chega a prejudicar o conjunto).
Cada ator usava uma máscara quase imperceptível, composta por um ponto de lápis próximo a cada olho. Como recentemente comecei a estudar um pouco sobre clown e fui assistir ao espetáculo justamente para conhecer o trabalho da diretora que é uma das pessoas que trabalha ou trabalhou com grandes artistas clownescos ou palhaços (quase todo o pessoal do Jogando no Quintal, por exemplo), observei essa sutileza, o que me fez refletir sobre o estado do clown e entender melhor algumas coisas: aqueles atores utilizavam essa técnica para fazer um drama profundíssimo (que, inclusive, tinha momentos engraçadíssimos, mas no todo, não seria classificado, pelos critérios padrão, como uma comédia).
Eu diria que a simplicidade, atrelada a um belo acabamento estético também são características desse trabalho. Um amigo meu, disse que achou o espetáculo longo, já que após 15 minutos já tinha entendido tudo. Eu continuei tocado por muito mais tempo. Ainda assim, talvez enxugar um pouco fosse uma alternativa, mas eu não saberia dizer o que enxugar. Quando eu tinha a sensação de que não havia mais caminhos a serem explorados, novos elementos surgiam, abrindo novos campos de reflexão.
Mas acho que o final é um problema. Como já disse, espetáculo nos leva a muitas reflexões. Permanecemos sentados no chão ou em almofadas ou pufs durante todo o tempo e no final, não há um black-out ou o “momento de bater palmas”. Até aí, acho ótimo. É muito claro que faz parte da proposta. Mas o problema é que, embora hajam diversos elementos indicadores de que o espetáculo terminou, percebi que não fui somente eu que não tive vontade de levantar. Deu uma certa preguiça, uma depressãozinha, pois o conteúdo ali exposto é provocador e não te deixa à vontade nem pra levantar e ir embora quando tudo já terminou. Permanece a dúvida: será que terminou mesmo?
Fui o primeiro a sair, em um momento que os atores convidavam algumas pessoas para verem alguns LPs. Talvez eu tenha causado a impressão de descontente para alguns, mas não foi nada disso. Repito: estava claríssimo que essa era a proposta para o final, mas eu questiono essa opção, pois se eu não tivesse entendido, eu poderia ter ficado lá por algumas horas.
Mais um trabalho que recomendo!!!! E creio que mesmo quem não goste da proposta, sai do espetáculo refletindo sobre várias coisas, o que faz com que o espetáculo fique em minha lista de preferidos dos últimos tempos.

CAMINHOS. Grupo: Konan e os Bárbaros Cia. Teatral – texto: Rubens Rewald – direção: Cristiane Paoli Quito – elenco: Camila Minhoto, Gabriela Germano, Fernanda Castello Branco, Fabrício Licursi, Luciana Paes e Thiago Amaral.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Grito, da Companhia

Acabo de chegar de mais um espetáculo: Poe, Edgar. Fui assistir a uma amiga que tem uma trajetória profissional parecida com a minha e me deparei com um trabalho muito interessante.

O espetáculo mescla fatos da vida de Edgar Alan Poe, com alguns de seus textos. Eu não teria propriedade para comentá-los, portanto prefiro apenas dizer que vi uma unidade textual que muitas amarrações por aí não atingem. Um ou outro momento mais de difícil entendimento não se destacavam à conexão geral bem delineada.

Isso proporcionou claramente uma exploração dos atores, incluindo a presença de uma narradora que fazia inserções de um modo muito verdadeiro (sem a chatice do narrador que só comenta).

Tenho a impressão de que em alguns momentos é possível afinar melhor a trilha sonora com as falas dos atores. Também penso que se enxugar um pouquinho a reta final, o público não chegará a olhar no relógio para saber as horas.

Mas o ponto mais forte do espetáculo, em minha humilde opinião, é a exploração espacial!!! Tenho visto muitos espetáculos naquele porão do Centro Cultural São Paulo e a maioria opta ali por apenas para fugir da relação à italiana. No entanto, esse trabalho explora muito bem o espaço (atores sobre as vigas de concreto, uma parece de tijolinhos à vista remetendo a um caixão etc...), colocando o público numa relação que não é inovadora (nem precisaria ser), mas que tem tudo a ver com as opções de cena.

Eu recomendo!!! E sei que continuará em cartaz lá até 05/07/2009, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.

Poe, Edgar – Centro Cultural São Paulo. Direção e Concepção Cênica Geral: Roberto Morettho. Elenco: Abel Xavier, Alessandro Hernandez, Carol Cashie, Léia Rapozo, Ligia Borges, Perla Frenda. Concepção Cênica de O Corvo: Tati Guimarães; de o Gato Preto: Eduardo Parisi; de Assassinatos na Rua Morgue: Lilih Curi e Roberto Morettho.Texto: Paula Chagas Autran e Roberto Morettho.

Forças!!! E Fui...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O primeiro registro

Tive a ideia a alguns dias, mas hoje decidi criar esse espaço para compartilhar um pouco sobre teatro.

Tenho como objetivo principal no uso desse espaço, escrever minhas impressões sobre espetáculos teatrais que tenho assistido. Portanto não se trata de críticas e tentarei evitar ao extremo a exposição de meu gosto pessoal, já que gosto não se discute e há sempre aspectos artísticos a serem considerados em qualquer obra teatral.

Agora são pouco mais de 1h da manhã. Eu já estava indo pra cama, mas resolvi voltar, pois não há data melhor do que hoje para iniciar esse registro: acabo de assistir ao espetáculo PODE SER QUE SEJA SÓ O LEITEIRO LÁ FORA, que tem texto de Caio Fernando Abreu.

Para mim, a data é especial, pois é a primeira vez que assisto a uma outra montagem do primeiro texto no qual atuei. Isso foi em 2002, ainda numa estrutura de escola de teatro (Escola Don Quijote do Amanhã).

Essa montagem que acabo de conferir no Casarão do Belvedere (São Paulo), teve direção de Thiago Kozonoi e no elenco estavam: Daniel Grobman Machado, Emerson Grotti, Ednei Batista, Lívia Sales, Marina Sousa, Priscila Clemente e Tainah Brandão.

Trata-se da história de um grupo de amigos que se abrigam do frio e da chuva em uma casa abandonada. Lá expõem conflitos pessoais e coletivos. Após tomarem um chá "de ervas orientais", começam uma viagem alucinógena que coloca em xeque a identidade de cada um, crenças, sentido da vida etc.

É muitíssimo estranho pensar uma visão desse texto tão diferente da que tivemos na época da montagem. Não vou falar muito do processo que vivi, mas tenho a impressão de que a apropriação do conteúdo foi muitíssimo diferente. Um exemplo: na montagem de hoje, não senti espaço para piadas, quando creio que o texto possui inúmeras! Mas ao mesmo tempo, foi ressaltada uma relação entre dois personagens (Léo e João) que considero mais rica do que a de nossa montagem (até mesmo considerando que adaptamos o texto eliminando o João).

Eu não poderia deixar de falar sobre Alice Cooper, o personagem que interpretei. Na nossa concepção, ele era uma figura central do espetáculo, capaz de mudar rumos na história. Um bissexual que se traveste de Alice Cooper (um roqueiro, ainda vivo, marcado por figurinos sempre muito pesados e o rosto pintado), mas mantém um gosto elevado por cores. Nossa concepção era de um homem muito andrógeno.

Minha decepção em relação a Alice Cooper, foi ver uma menina toda vestida de preto o intepretando. Ela apenas fazia menção ao gosto dele pelas cores.

Essa impressão se deu em relação a toda a criação. Em alguns momentos, eu apenas via texto em cena. Mas e a vida do teatro? E a criação do ator?

A partir da alucinação, há uma fala que diz que dali em diante tudo é possível. E parece que aqueles artistas quiseram colocar tudo em cena. Uma certa confusão mesmo. E um final totalmente criado por eles, que quebrava com a proposta de Caio e deixou o público meio sem ação, já que os atores levavam uma bronca de um senhor que aparecia do nada dizendo que faziam muito barulho. Eles recolhiam seus objetos de cena, pediam desculpas ao público e saíam. Essa relação final com o público, soou falsa, pois parecia forjada, já que se tratava do final (sendo que ela não existiu em nenhum momento do trabalho).

Respeito as opções. Acho meio descabido o final, mas essa é apenas a minha visão. Prefiro evitar opções mais realistas no teatro, pois acho que, diferentemente da TV e da grande maioria do cinema, o teatro é uma linguagem que permite outros tipos de experimentação.

Se me perguntassem o que ficou para mim desse espetáculo, eu diria: a sensação de que a ideia de Caio não foi bem explorada, pois não ficou exaltada a crítica que ele faz ao mundo atual de guerras e destruição em massa. Acredito que um caminho pra isso seria reduzir textos, aprofundar melhor o conteúdo de cada personagem (um Alice Cooper que adora luzes, purpurina, a cor vermelha, jamais poderia ter um figurino de roqueiro apenas) e objetivar significativamente o momento de alucinação.

Por hoje, acho que basta. E como diria Alice Cooper (pelo menos o meu, usando as palavras de Caio): Forças!!!

Já vou deixar meu registro sobre alguns espetáculos que pretendo comentar em breve: Jogando no Quintal e Caleidoscópio (ambos do grupo Jogando no Quintal), Calendário das Pedras (de Denise Stoklos), Caminhos (que assisti ontem. Com direção de Chrisiane Paoli Quito - preciso checar se escrevi seu nome corretamente) e Agreste (direção de Márcio Aurélio).

Forças!!! (de novo)