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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A ALMA BOA DE DENISE FRAGA

Foto: João Caldas

Hoje é dia de falar de Brecht. Um Brecht protagonizado por uma estrela global (Denise Fraga). Estranho? Talvez alguns artistas engajados atacassem várias pedras, já que muitos defendem Brecht como anti-burguês. E o que seria uma arte anti-burguesa?

Por tudo isso, considero essa montagem de A ALMA BOA DE SETSUAN um belíssimo trabalho, já que prova que um bom texto, com bons atores, bom diretor, bom iluminador, boa cenografia, bons figurinos só pode resultar em um ótimo espetáculo.

Denise Fraga mostra-se como uma alma boa em cena e fora dela. A segunda (atual) temporada em São Paulo tem preços populares e muito provavelmente ela seja responsável por isso.

A alma má do espetáculo (ironicamente o divino) é Ary França. Ele rouba a cena com piadas extremamente bem colocadas, com um ótimo domínio dos tempos.

Enfim, vale a pena conferir a dialética de Brecht posta em cena por essa ótima equipe artística.

FICHA TÉCNICA:
Autor: Bertold Brecht. Direção: Marco Antônio Braz. Adaptação: Marco Antônio Braz e Marcos Cesana. Elenco: Denise Fraga, Ary França, Cláudia Mello, Joelson Medeiros, Maurício Marques, Fábio Herford, Marcos Cesana, Jacqueline Obrigon, Virgínia Buckowski, Maristela Chelala e João Bresser. Assistente de direção e preparadora corporal: Ana Paula Nero. Cenografia: Márcio Medina. Figurino: Verónica Julian. Visagismo: Emi Sato. Trilha sonora: Théo Werneck. Iluminação:Wagner Freire. Direção de Produção: Roberto Monteiro e Fernando Cardoso.


SERVIÇO:
Onde : Teatro TUCA - Rua Monte Alegre, 1024 – PerdizesTemporada: 14 de Agosto a 04 de Novembro. Horários: Sáb às 21h30 e Dom às 19h.

sábado, 3 de outubro de 2009

Parques Teatrais


Amigos, fiquei sem atualizar o blog por alguns motivos, dentre eles a perda de uma pessoa querida, mas agora pretendo recuperar o tempo perdido com a indicação de 16 espetáculos teatrais de uma única vez: trata-se do projeto TEATRO NOS PARQUES, que estou produzindo.

Comentar sobre os espetáculos talvez não fosse justo, pois não conheço todos. Como houve uma seleção, posso garantir que a qualidade dos trabalhos está bem interessante.

Até o final de outubro, 32 parques da cidade de São Paulo contemplarão espetáculos teatrais, totalizando 64 sessões gratuitas por toda a capital.
A programação encontra-se disponível no site: www.cooperativadeteatro.com.br/teatronosparques . Eu também estou à disposição para outras informações.

sábado, 1 de agosto de 2009

Muito mais que AS CENTENÁRIAS de uma grande família

foto extraída de:
onde contém uma matéria também interessante para leitura



Novamente estou em estado de choque. Às vezes esqueço o prazer proporcionado por um bom espetáculo teatral. Ontem, reavivei minha memória ao conferir AS CENTENÁRIAS.

Por se tratar de uma criação carioca, confesso que eu não tinha conhecimento da trajetória desse trabalho. Segundo o site http://www.fecomercio.com.br/pagina.php?tipo=20&pg=1319: ‘As Centenárias’ teve casa lotada por um ano e meio no Teatro Poeira, de propriedade das atrizes, e venceu os principais prêmios de teatro do país: Shell de melhor autor (Newton Moreno), melhor atriz (Andrea Beltrão) e melhor cenário (Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque); Contigo de melhor atriz (Andréa Beltrão), melhor espetáculo de comédia (júri oficial e voto popular) e melhor autor (Newton Moreno); Prêmio Qualidade Brasil de melhor espetáculo comédia, melhor atriz de comédia (Marieta Severo) e melhor diretor de comédia (Aderbal Freire-Filho); e APTR de melhor atriz (Andrea Beltrão).


Ultimamente tenho dado atenção especial a comédias, já que riso garantido, em minha opinião, não é sinônimo de espetáculo bom. Comédia de verdade parte da inteligência, faz pensar. E fui tão desarmado assistir a esse espetáculo, que nem sabia que se tratava de uma proposta cômica.


A partir do filme Veronica (que tem um forte teor dramático), tenho observado com mais atenção os trabalhos de Andréa Beltrão (como a minissérie Som & Fúria, por exemplo). Uma atriz que sempre fez muitos personagens engraçados, comprova em AS CENTENÁRIAS uma tese tão antiga: para fazer rir, o ator precisa dominar os tempos da comédia. E é o que faz Andréa Beltrão durante todo o espetáculo.


Seria um absurdo deixar de comentar que Marieta Severo parece uma menina em cena. Muito diferente de tudo que já vi d e seu trabalho: uma atriz madura explicitamente pesquisando em cena, explorando um corpo que muita jovem não tem... Enfim: comprova que é muito mais que a Nenê do centenário A grande família ou muito mais nobre que a sequência grande de milionárias que fez em novelas globais. Uma atriz para quem devemos tirar o chapéu.


E quem seria o ator que representa nada menos que a morte? O nome dele é Sávio Moll. Ele manipula muitos dos bonecos que dividem cena com as atrizes. Aparece discretamente em princípio, mas vai crescendo a cada nova aparição. Detalhe: seus movimentos em cena (provavelmente coreografados) remetem ao desenho animado, dando um toque especial ao trabalho como um todo.


Ótima dramaturgia (escrita especialmente para as atrizes - a pedido das próprias - e em total sintonia com a encenação), somada a elementos cenográficos com funções muito claras (o cenário é constituído de um número expressivo de bonecos, que representam a morte e permanecem como observadores da cena), luz bem desenhada, atores experimentando sem pudores, uma pitada circense e uma direção que explora o melhor de cada elemento, comprovam que teatro bom é aquele em que há um todo harmônico!!!


Finalizo dizendo que o ingresso não é dos mais baratos, mas vale cada centavo pago! Pena que a temporada de São Paulo, após inúmeras prorrogações, termina em breve (se não me engano, em 09/08/09).





AS CENTENÁRIAS
Com Marieta Severo, Andréa Beltrão e Sávio Moll. Direção: Aderbal Freire-Filho. Texto: Newton Moreno. Cenário: Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque. Figurinos: Samuel Abrantes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Musical: Tato Taborda. Pesquisa de repertório das incelenças: Silvia Sobreira. Bonecos de cena: Miguel Vellinho. Bonecos do cenário: Mestre Tonho e Ivete Dibo. Em cartaz: Sexta, às 21h30m , sábado, às 21h e domingo, às 17h, no Teatro Raul Cortez (Rua Doutor Plínio Barreto, 285 - Bela Vista / Tel: (11) 2198.7701)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Off Teatro: Projeto de Lei obriga políticos a matricularem filhos em escolas públicas

Criei esse blog exclusivamente para falar sobre teatro. No entanto, acabo de receber o e-mail abaixo e resolvi publicá-lo por aqui como uma forma de dar a minha contribuição para que o PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007 (vide site: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166 ) possa ser aprovado.


Olá pessoal,

Seguem informações sobre este interessante e polêmico projeto de lei:

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em Escolas públicas.

Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis.. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM. Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pequena gralha - agarrada num traço a lápis

Eu não poderia deixar de falar nesse espaço do Grupo Lume. Embora eu não conheça tão a fundo seu trabalho, durante um tempo significativo de minha trajetória, grande parte do treinamento físico que realizei proveio de uma pesquisadora que bebeu muito dessa fonte campineira: Cátia Massotti. Então falemos do espetáculo KAVKA – agarrado num traço a lápis, que permanece em cartaz no SESC Consolação (Teatro Anchieta) até 02/08 (ou, de acordo com o site do SESC, seria dia 24/08?).

Começo pelo ponto mais forte: as formas. A beleza formal do espetáculo é de deixar de queixo caído. O corpo de Ricardo Puccetti nesse seu monólogo é extremamente vivo e pulsante. Cada movimento, totalmente coreografado e incrustado de organicidade, gera seu significado próprio.

Tudo vai muito bem até começar o texto. A impressão que tenho é que nenhuma palavra precisaria ser dita, diante de formas que comunicam tão bem. Parece que não há conexão entre fala e forma, o que gera uma poluição. O enredo passa a ficar quase desconexo, de difícil entendimento, o que resulta em mais um trabalho que chamo de cabeção.

O espetáculo o tempo todo me remeteu à dança. Após terminar, quando peguei o programa, me deparei com uma sinopse que explica tratar-se de uma noite imaginária em que Franz Kafka “mergulha em seu mundo interior”. Novamente o que considero o elemento presente na maioria dos espetáculos de dança: a subjetividade. Como falar concretamente do inconcreto?

É mais um espetáculo que me aflora questões de dramaturgia em seus diversos campos: da cena, do ator, do texto. E nesse sentido, minha vontade é de correr pros braços de Denise Stoklos!!!

Independentemente de qualquer coisa, KAVKA (que significa pequena gralha) – agarrado num traço a lápis é um espetáculo que merece ser visto. Mais informações sobre o grupo, visite: http://www.lumeteatro.com.br/ (de onde foram extraídas as fotos aqui publicadas).





CRIAÇÃO E DRAMATURGIA: Ricardo Puccetti e Naomi Silman - Inspirado em fragmentos de textos de Franz Kafka e Ricardo Puccetti. ATUAÇÃO: Ricardo Puccetti. DIREÇÃO: Naomi Silman. CENOGRAFIA: Maxim Bucharetchi. MÚSICA ORIGINAL: Uri Frost. CLARINETISTA: Harold Rubin. MÚSICA INCIDENTAL: MAMBOS de Yma Sumac. DESENHO DE LUZ: Eduardo Albergaria. DIREÇÃO E MONTAGEM DE VÍDEO: Julia Zakia (Gato do Parque). FIGURINO E ACESSÓRIOS: Juliana Pfeifer. CONFECÇÃO DE FIGURINO: Sanny Rigor. INSTRUTOR DE MÁGICA: Ricardo HaradaCENOTÉCNICO: Marcos Pinto (Marcutti). PRODUÇÃO EXECUTIVA: Cynthia Margareth. REALIZAÇÃO: LUME Teatro.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Laboratório de Figurantes


Vou começar esse registro explicando meu vínculo com o espetáculo sobre o qual farei algumas colocações: OS FIGURANTES. No período de dezembro de 2007 a março de 2009, produzi a Casa Laboratório para as Artes do Teatro, grupo dirigido por Cacá Carvalho e que tem uma importante parceria com a italiana Fondazione Pontedera Teatro. Ao longo desse período, dei continuidade à vida do espetáculo O Homem Provisório durante 6 meses, que deu lugar ao projeto A CASA ABERTA: um convite à visitação de mestres e aprendizes, financiado pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. Produzi integralmente uma série de oficinas, palestras e workshops com artistas do Rio de Janeiro, Bahia, Itália, Polônia e Cingapura. Foi um trabalho intenso que não previa a montagem de um espetáculo, mas inevitavelmente gerou o embrião de Os Figurantes.

Durante o processo de pesquisa e montagem, e enquanto eu ainda produzia o grupo, o espetáculo teve seu processo aberto em dois momentos: o primeiro enquanto um SARAU CÊNICO e o segundo, marcando a finalização do Fomento, foi intitulado 1º ES TUDO URBANO. Três meses e meio depois, no caso hoje, assisto ao trabalho pronto que agora é OS FIGURANTES.

Sobre o trabalho, posso dizer que é uma experimentação muito diferente das anteriores - A Sombra de Quixote (partiu de Dom Quixote, de Cervantes) e O Homem Provisório (teve como ponto de partida Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa). Agora não houve um texto único que servisse de estímulo inicial: cada ator escolheu livremente um texto e apresentou uma cena ao diretor. A partir de então, iniciou-se um processo de colagens e uma nova dramaturgia passou a ser escrita (com a presença de Cláudia Barral em princípio e finalização dos próprios atores).

Como resultado temos um trabalho que não conta uma história, mas expõe sete trajetórias. Sete figurantes, que emocionam trazendo à tona suas questões, as quais nos remetem ao nosso próprio dia-a-dia (lembre-se que tudo partiu de um estudo sobre o urbano). Enquanto o protagonista tudo observa do alto, com a liberdade que seu “habitat” lhe permite. A parceria entre Márcio Medina (espaço e figurinos) e Fábio Retti (luz) se repete e novamente resulta numa sincronia muito bela. É um trabalho que faz valer o nome Casa Laboratório.

Em cartaz na Rua Conselheiro Brotero, 182, Barra Funda, São Paulo (atual sede do grupo – praticamente construída por mim), de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h, até o dia 09/08/2009. Reservas devem ser feitas pelo e-mail: reservas@casalaboratorio.com.br ou pelo telefone: 3661-0068.


Direção Artística: Cacá Carvalho. Elenco: Daniel Ribeiro, Joana Levi, Juliana Grave, Laila Garin, Leonardo Ventura, Marcelo Valente e Raquel Tamaio. Espaço e Figurino: Márcio Medina. Luz: Fábio Retti. Dramaturgia: Cláudia Barral e Elenco. Concepção de Trilha Sonora: Ernani Napolitano. Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro. Produção Executiva: Pedro de Freitas/Périplo Produções Culturais. Assistência de Produção: Lívia Gabriel. Coordenação de Produção: Carla Pollastrelli. Colaboração Artística: Roberto Bacci. Foto: Divulgação / Fábio Alcover. Realização: Casa Laboratório para as Artes do Teatro e Fondazione Pontedera Teatro.

domingo, 12 de julho de 2009

Mais uma história de MARIA. E assim o teatro PEREGRINA.


“Uma história graciosa”, no melhor sentido da palavra, define o espetáculo Maria Peregrina. Com 9 anos de estrada e muitos prêmios, esse trabalho é uma demonstração de exploração da contação de uma história partindo do narrador, que olha no fundo dos seus olhos, e do personagem, que ilustra a cena. Com quebras excelentes e algumas piadas nos momentos adequados.

Ao entrar na semi-arena do histórico Teatro de Arena Eugênio Kusnet, um clima de doce alegria seduz o público, que permanece com esse semblante até o final do espetáculo. Em menos de uma hora, um misto de elementos teatrais bem sincronizados comunica o que se propõe de forma poética. E sem utilizar o recurso da história de final feliz ou da mensagem de caráter moral.

A cada dia que passa tenho mais certeza de que a simplicidade no teatro é sinônimo de beleza. E isso prova como o gosto pessoal não é importante: o teatro é muito mais. Digo isso, pois eu não teria optado pelos cenários e figurinos escolhidos, assim como também a temática não é a que mais me atrai. No entanto nada disso tem importância, uma vez que o espetáculo é costurado de uma forma tão objetiva, que todos os signos tem um porquê de ser. Sem contar o mais importante: saio de lá refletindo sobre como são construídas as verdades. Ponto positivo!!!

Meu ponto negativo vai para o funcionário da Funarte, que obviamente não entendeu o espírito do espetáculo. O rapaz indicou que o público não se espalhasse pela platéia para “não dispersar”. Resultado: os próprios atores sentiram-se incomodados ao ver a plateia aglutinada da porta ao meio do teatro.
Maria Peregrina fica em cartaz só mais essa semana (até 19/07/2009): sexta e sábado às 21h e domingo às 19h, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque / SP). Visite também o blog da Cia. Teatro da Cidade, responsável pelo trabalho: http://ciateatrodacidade.blogspot.com/ .


Texto: Luís Alberto de Abreu. Direção: Claudio Mendel. Elenco: Adriana Barja, Conceição de Castro, Caren Ruaro, André Ravasco, Tamara Cardoso e Vander Palma. Direção musical: Márcio de Oliveira. Cenário, figurino e adereços: Carlos Eduardo Colabone. Iluminação: Daniel Augusto e Claudio Mendel. Produção executiva: Carla Maciel. Fotógrafo: Tito Oliveira (as fotos aqui expostas são de Paulo Arias).